Quando se fala em Transtorno do Espectro Autista (TEA), a maioria dos estudos, imagens e até exemplos clínicos parecem se concentrar nos meninos. Essa percepção não é por acaso: as estatísticas indicam que o diagnóstico de autismo é mais frequente em meninos do que em meninas.
Mas será que o TEA realmente afeta menos meninas, ou os sinais nelas simplesmente passam despercebidos?
A resposta pode ser mais complexa do que se imagina.
Neste artigo, vamos explorar por que o diagnóstico do autismo em meninas ainda é um desafio, como os sinais podem se manifestar de forma diferente e qual a importância de um olhar mais atento para não negligenciar essas crianças.
O Autismo em Meninas Pode se Manifestar de Forma Diferente?
Sim. Embora o TEA compartilhe características centrais entre todos os indivíduos diagnosticados — como dificuldades de interação social e padrões repetitivos de comportamento —, meninas frequentemente apresentam sinais que fogem dos “padrões tradicionais” descritos nos manuais diagnósticos.
Diferenças Comuns na Manifestação do TEA em Meninas:
- Habilidades sociais camufladas: Muitas meninas autistas conseguem “mascarar” suas dificuldades sociais imitando o comportamento de outras crianças, o que dificulta a identificação do transtorno.
- Interesses restritos mais socialmente aceitos: Enquanto meninos podem apresentar hiperfoco em áreas como dinossauros ou trens, meninas tendem a ter interesses intensos por temas considerados “normais” para sua faixa etária, como animais, bonecas ou literatura.
- Menor ocorrência de comportamentos estereotipados visíveis: Embora o comportamento repetitivo seja um critério diagnóstico do TEA, meninas podem apresentar estereotipias mais sutis, como morder o lábio, mexer no cabelo ou balançar as pernas.
- Maior vulnerabilidade emocional: Ansiedade, depressão e distúrbios alimentares são mais comuns entre meninas autistas — muitas vezes sendo esses quadros que levam a um diagnóstico tardio.
Por que o Diagnóstico Costuma Ser Mais Difícil em Meninas?
Os critérios diagnósticos do TEA foram inicialmente desenvolvidos com base em estudos focados em meninos. Esse viés contribuiu para que os sinais mais comuns no sexo masculino se tornassem o “padrão” esperado durante a avaliação.
Além disso, fatores culturais e sociais também influenciam. Há uma expectativa maior de que meninas sejam mais sociáveis e emotivas, o que pode fazer com que comportamentos de isolamento ou timidez sejam vistos apenas como traços de personalidade — e não como um possível indicativo de autismo em meninas.
Estatísticas Relevantes:
- Em média, para cada 4 meninos diagnosticados com TEA, apenas 1 menina recebe o diagnóstico.
- Muitos casos em meninas só são identificados na adolescência ou vida adulta, quando questões de saúde mental, como ansiedade ou depressão, se tornam mais evidentes.
O Que Observar em Meninas que Podem Estar no Espectro?
Embora cada criança seja única, alguns sinais em meninas com autismo podem sugerir a necessidade de uma avaliação especializada:
- ✅ Dificuldade em iniciar ou manter amizades, mesmo demonstrando interesse em socializar.
- ✅ Hiperfoco em interesses específicos, mas que parecem “socialmente comuns” (ex.: animais ou personagens de filmes).
- ✅ Alto nível de sensibilidade emocional ou crises frequentes sem causa aparente.
- ✅ Ansiedade social ou tendência a se isolar em ambientes com muitas pessoas.
- ✅ Dificuldade em compreender ironias ou expressões figurativas.
O Que Diz o Episódio do Formare Talks?
No episódio especial do Formare Talks, a psicóloga Bia Casella compartilha insights valiosos sobre o diagnóstico de TEA em meninas e os principais desafios enfrentados por famílias e profissionais.
Principais Pontos Abordados no Episódio:
- 🔸 A importância de desconstruir estereótipos no diagnóstico.
- 🔸 Como as meninas tendem a camuflar seus sinais de autismo em ambientes sociais.
- 🔸 O impacto do diagnóstico tardio em aspectos emocionais e acadêmicos.
Trecho do episódio:
“Muitas vezes, as meninas passam anos sem um diagnóstico correto, enfrentando angústias internas sem entender o motivo. Esse atraso compromete intervenções importantes durante a infância.” — Bia Casella
Assista ao episódio completo e aprofunde-se no tema: Assista no YouTube
A Importância de um Olhar Especializado
Na Clínica Formare, sabemos que cada criança possui singularidades e que o diagnóstico de TEA exige um olhar sensível e atento. Nossa equipe interdisciplinar está preparada para realizar avaliações precisas, respeitando as particularidades de cada perfil — especialmente em casos onde os sinais podem ser mais sutis, como ocorre frequentemente em meninas com autismo.
Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores as chances de intervenções eficazes e suporte adequado.
Se você tem dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho ou filha, não hesite em procurar orientação especializada.
Assista ao episódio completo no nosso YouTube e descubra como ampliar sua visão sobre o TEA em meninas.